A noite vai longa e o sono, esse, tarda em aparecer, não que a insónia não deixe dormir ou que o escuro assuste como outrora tão comum era…
Sinto, isso sim, uma necessidade enorme de não desperdiçar nem mais um segundo, não deixar que outro dia passe sem o que um coração, há muito mudo, grita e silenciosamente anseia sem cessar.
Não quero mais passar sem dizê-lo enquanto me perco nesse imaginário, que mesmo não o sabendo, crias ao mesmo tempo que me delicio com esse sorriso de criança o qual espero que nunca percas; são pequenas características tão únicas a ti e essenciais a mim quanto o é a fresca brisa a um quente dia de verão, sem ela não seria o mesmo tal como eu não o sou sem esses pequenos rasgos de paraíso que fazem doer o coração de tão intensos que são de vislumbrar.
Desde um singular toque ao bafejar íntimo que poucos terão a fortuna de sentir e receber, tudo em ti contribui para elevar a alma ao delírio e à loucura que só aquele malfadado e incompreendido sentimento pode descrever.
Oh! Como odeio o meu pequeno e insignificante talento em momentos de descrever o quão avassalador é um simples olhar teu ainda que não seja a mim dirigido, toda essa tranquilidade e calma que transmite, todo o amor que desperta e a paixão que aparenta mais que ansiar, desejar… Ai se um olhar matasse… tudo daria para seres a minha assassina e eu a tua vítima que impaciente aguarda o seu fim.
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